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Felicidade
Felicidade, artigo de Aurea Magalhães
O ser humano vive em
constante busca pela felicidade, ainda que a sua
definição seja um tanto quanto controversa.
O que
é felicidade para uma pessoa pode não ser para
outra, de modo que há de se considerar o local onde se vive,
a época, a cultura predominante, os valores estabelecidos,
entre outras questões circunstanciais.
Alguns
acreditam que felicidade não existe, pois o que
há na vida são momentos felizes. Certamente seria
utópico pensarmos em uma vida inteira de felicidade, mesmo
que se usufruindo de uma situação abastada, pois
os bens materiais não garantem a plena felicidade.
Aliás, vemos muitas pessoas com perfeitas
condições e oportunidades para serem felizes,
porém sem a menor satisfação ou
alegria de viver. Da mesma forma, podemos constatar a
existência de pessoas de origem humilde, sobrevivendo com o
mínimo e que, no entanto, transbordam de alegria pelo
simples fato de estarem vivas e em condições de
sonhar e lutar por uma vida melhor. Algumas vezes nos chocamos ao
conhecermos pessoas que sofrem de algum tipo de deficiência
ou alguma doença grave e que, ainda assim, conseguem ser
exemplos de força e fé, superando
obstáculos inimagináveis.
Algumas
religiões defendem que a felicidade não
é um objetivo em si, um destino, e sim a viagem, o percurso
em busca da mesma. O simples fato de se estar vivo já
é um evento feliz, pois encerra em si infinitas
possibilidades de buscas e realizações.
Nosso
passado, nossa história é naturalmente o alicerce
do que construímos no decorrer dos anos. É o pano
de fundo do que temos no presente, sem nem mesmo nos darmos conta em
alguns momentos. Muitas pessoas vivem de forma infeliz por conta de
inúmeras cicatrizes trazidas de outros tempos, como:
sentimentos de menos valia, frustrações,
mágoas, rejeições e uma
série de episódios desastrosos.
É
importante pararmos e refletirmos sobre nossas experiências
vividas, entendendo que o mais significativo não
é o que de fato nos aconteceu, mas sim o que fizemos com o
que nos aconteceu. Tudo passa pela nossa leitura interior sobre a
realidade que nos cerca. Um mesmo episódio tem peso
diferente para as pessoas, já que cada um enxerga pela sua
ótica, reagindo diferentemente aos fatos. A forma como
reagimos está no nosso campo de decisão, enquanto
que as situações passadas estavam na maioria das
vezes fora do nosso controle.
Alguns
conseguem a façanha de não permitir que certos
fatos passados interfiram no presente, de forma a comprometer a
qualidade vida, o que certamente não é o caso da
maioria. O mais comum é notarmos que as pessoas sofrem pelo
simples fato de não terem tido a oportunidade de aprenderem
a gostar de si mesmas. Quem de nós teve o
privilégio de ter uma educação que
envolvesse questões voltadas para a auto-estima e a
possibilidade de se enxergar como alguém capaz de se aceitar
com seus pontos fortes e fracos. Ninguém nos ensinou a
gostar de nós mesmos, e isso gera nas pessoas uma
ausência de si mesmas e a necessidade de buscar no outro a
satisfação de seus desejos e necessidades.
Acabamos
colocando sobre os ombros do outro a responsabilidade por nos fazerem
felizes, muitas vezes massacrando e torturando o outro, o que
é completamente injusto. Isso quando não buscamos
a compensação na comida, em vícios ou
coisas parecidas. É como se houvesse um grande vazio
interior a ser preenchido, algo que grita e busca desesperadamente pela
completude.
A velha
crença que diz a respeito de buscarmos no outro “a
metade da laranja” já traz a
conotação negativa de que não somos
inteiros, pois valemos metade, e que sempre dependeremos de
alguém que nos complete. O correto seria termos duas pessoas
inteiras, convivendo e usufruindo do prazer da companhia do outro, sem
qualquer tipo de dependência.
Buscar na
vida a dois, no casamento, uma correção de rota
para a própria vida é um grande erro, pois nem
sempre as coisas acontecem como gostaríamos, já
que ambos partem para o relacionamento com várias
expectativas que nem sempre o outro tem conhecimento. E o que acontece
quando temos expectativas não atendidas? Os sonhos se
desmoronam e o que deveria ser uma doce experiência de
compartilhar momentos, torna-se um pesadelo cheio de dores,
mágoas e decepções.
Fritz Perls
escreveu a Oração da Gestalt, que de forma
simples e objetiva nos mostra como seria mais fácil viver se
a praticássemos:
“Eu
sou eu. Você é você. Eu faço
as minhas coisas e você faz as suas. Eu não vim a
este mundo para viver de acordo com as suas expectativas e
você não veio para viver de acordo com as minhas.
Se por acaso nos encontrarmos, será lindo. Se
não, nada há a fazer.”
Na medida
em que se tem na infância um ambiente familiar com falta de
apoio e da sensação de ser querido, somado a
situações de constrangimentos na vida escolar (o
que é bastante comum) temos o cenário perfeito
para o desenvolvimento de uma pessoa com baixa auto-estima. Isso
geralmente leva a um sofrimento interior bem intenso e que, muitas
vezes, nem se tem consciência. Como resultado, a pessoa
não se sente bem consigo mesma, culpa-se com muita
freqüência, apresenta dificuldades de relacionamento
e sofre com pequenas coisas que não deveria se importar,
pois tornou-se sensível a tudo que possa
desqualificá-la mais do que já se sente
inferiorizada. Ou seja, a vida vira um verdadeiro inferno, pois os
sentimentos negativos acabam predominando e trazendo a
“comprovação” da incapacidade
de construir a própria felicidade.
Chatear-se
porque alguém não gostou de algo que fizemos ou
dissemos é normal, pois é muito mais prazeroso
viver de forma harmoniosa com os que nos cercam. Porém,
infelizmente é impossível agradarmos a todos o
tempo inteiro. Viver em função de agradar o outro
para sentir-se aprovado e querido é algo bastante perigoso,
pois nem sempre o que agrada a um agrada ao outro. E, o pior, ficar na
expectativa de aprovação alheia para nos
sentirmos bem é bem delicado, pois nem sempre o outro aprova
ou demonstra que aprova nossas ações. Esse tipo
de atitude pode trazer sofrimento exatamente pelo fato de deixarmos nas
mãos do outro a responsabilidade por nos fazer felizes, e
também por nos colocarmos em segundo plano, não
considerando o que de fato gostaríamos de fazer, e sim o que
seria bom fazer para contentar o outro.
Em
síntese, entendo que a felicidade está no simples
fato de nos amarmos, para depois amarmos os outros. Entender a vida
como uma grande oportunidade de construir e de ser útil
à humanidade é algo espetacular. E isso torna-se
mais fácil quando aceitamos que somos seres imperfeitos, mas
que mesmo assim podemos nos sentir dignos de nos amar e sermos amados.
Somos todos como estrelas que brilham no céu. Uns parecem
brilhar mais que os outros, porém o que ocorre é
que todos brilham igualmente. A diferença está
apenas na distância existente entre nós e que nos
traz a ilusão de brilho maior ou menor.
Aurea
Magalhães
Psicóloga
– CRP: 06/27962
aurea@aureamagalhães.com
27/08/2008
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Atualizado em 17/11/2008
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Atenção:
NÃO
USE
informações aqui divulgadas para substituir uma
consulta médica. Nosso objetivo é
divulgar conteúdo relacionado a
prevenção em saúde. E a mais prudente
informação relacionada com
prevenção é: "SEMPRE consulte um
médico, quando entender necessário, para o
correto diagnóstico e eventual tratamento".
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